Acesso à Comunidade

             |
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Home Notícias O Pulo do Gato 01 O Pulo do Gato entrevista Carlos Alberto Bordini
O Pulo do Gato entrevista Carlos Alberto Bordini Imprimir E-mail
O Pulo do Gato - O Pulo do Gato - Ed. 01
Escrito por Wilsons Edgardo   
Ter, 11 de Outubro de 2011 13:28
Índice do Artigo
O Pulo do Gato entrevista Carlos Alberto Bordini
Bordini, C. A. - References
Todas as Páginas

Wilsons Edgardo, nosso pluripotencial editor-repórter-boy, acreditem, foi a Batatais entrevistar o Dr. Carlos Alberto Bordini, especialmente para o primeiro Pulo do Gato, boletim virtual da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Nascido na pacata Vila Tibério dos anos 50, torcedor fiel do Botafogo de Ribeirão Preto e da Sociedade Esportiva Palmeiras, Carlos Bordini viveu sua adolescência num Brasil que chacoalhava no turbilhão da ditadura. Graduou-se médico pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo onde também fez a residência em Neurologia, seu Mestrado e Doutorado. Em sua passagem por Trondheim (Noruega), recebeu a “benção” de Ottar Sjaastad, fez amigos como Fabio Antonacci e publicou artigos “campeões” de citações na literatura de cefaleia.

"Hemicrania continua": a clinical review. Bordini C, Antonaci F, Stovner LJ, Schrader H, Sjaastad O. Headache. 1991 Jan;31(1):20-6. Review.

Cluster headache: alterations in heart rate, blood pressure and orthostatic responses during spontaneous attacks. Kruszewski P, Bordini C, Brubakk AO, Sjaastad O. Cephalalgia. 1992 Jun;12(3):172-7.

Ao voltar para o Brasil junto ao Professor José Geraldo Speciali criou o grupo de cefaleias e os ambulatórios de cefaleia do Hospital das Clínicas da Faculdade de medicina de Ribeirão preto da Universidade de São Paulo.

A partir daí consolidou fortes laços de amizade com nossos saudosos Professores Edgard Raffaelli Júnior e Wilson Farias da Silva. Na presidência da Sociedade Brasileira de Cefaleia por 3 mandatos (1997 a 2000 e 2008 a 2010), juntamente com Arruda e Ciciarelli conduziu importantes projetos que expandiram e consolidaram a referida sociedade nos cenários nacional e internacional. Essa trajetória culminou com sua recente eleição para a diretoria executiva da International Headache Society nesse ano, feito inédito para os especialistas em cefaleia do Brasil e da América Latina, que agora passam a ter força e voz no cenário internacional.

Deixando os confetes de lado, Borda como é chamado pelos amigos, leva uma vida quase bucólica numa cidade do interior de São Paulo que, além dos afrescos de Portinari conta com a famosa Clínica Neurológica Batatais.

Foi lá em sua casa que Borda me recebeu para essa nossa primeira entrevista para o Pulo do Gato.

 

Wilsons: Conta para os leitores do Pulo do Gato o que você mais gosta na vida.

Bordini: rsrsrsr... (engasga)

Wilsons: para, para, não precisa responder, vamos passar para a próxima. (um gole de água). Três pessoas que te ensinaram cefaleia.

Bordini: Edgard Raffaelli Jr, Wilson Farias e Ottar Sjaastad

Wilsons: Conte-nos uma passagem marcante com o Edgard.

Bordini: Quando oportuno me perguntem sobre uma viagem de volta de Goiânia. Vamos ao publicável. Viajei muitas vezes com Edgard (para EUA ou Europa) que tinha muitas excentricidades ou idiossincrasias, por exemplo, sempre íamos na última fileira, quando ainda se fumava durante vôos, a parte de trás da aeronave parecia uma boate e lá ia eu fazer companhia ao Edgard. De uma feita, fomos colocados em uma fileira intermediária, Edgard não suportava que cutucassem o assento.

Havia um senhor inglês bem alto no banco de trás, que cada vez que se movimentava, dava um cutucão no banco do Edgard o qual ficava uma pistola e eu pacientemente ia tentando contornar a situação. De repente, impetuosamente, Edgard se levante e dá um tapa na cabeça do cidadão. Era um vôo da British, o cidadão inglês. Pensei estamos fritos, felizmente o bretão não perdeu a fleuma, me desculpei e a coisa acabou em pizza. Já no vôo de Goiânia...

Wilsons: Borda como está sendo a experiência de participar da executiva da IHS?

Bordini: Demanda tempo, mas me sinto orgulhoso pela oportunidade de poder colocar a América Latina no mapa. Hoje o Brasil é segundo país em associados na IHS. Já temos outro brasileiro na diretoria, colega Luis Paulo foi nomeado diretor de associados, assim ocupamos espaço no cenário internacional. Reflexo de tal foi o maravilhoso evento IHS Headache Master`s School realizado último setembro em São Paulo. Assim, Fico satisfeito de ser o primeiro brasileiro a participar dessa atividade.

Wilsons: Em sua opinião, em qual direção a IHS deve seguir?

Bordini: Há uma tremenda desproporção entre o ônus causado pelas cefaleias ou por outras moléstias neurológicas e a alocação de recursos, temos que chamar a atenção de governos e autoridades para esse vício. Há ainda necessidades enormes educacionais, mesmo entre os médicos para a importância de nosso campo de atuação, e finalmente em nossos eventos aumentar a participação de temas de interesse dos clínicos, atualmente o nível das palestras de ciência básica é muito profundo, porém um pouco distante da realidade do clínico.

Wilsons: Os três diagnósticos mais difíceis em cefaleia:

Bordini: Uma migrânea cuja aura era experiência extra-corpórea, um SUNCT que se submetera a numerosos procedimentos cirúrgicos para dor e uma dor facial de esforço por angina pectoris.

Wilsons: E agora os três mais fáceis.

Bordini: Meu dia a dia, as cefaleias crônicas diárias (migrânea crônica) “intratáveis”.

Wilsons: Enxaqueca ou Migrânea?

Bordini: Migrânea

Wilsons: Enxaqueca e Cefaleia do Tipo Tensional, uma ou duas cefaleias distintas?

Bordini: Duas.

Wilsons: Qual a melhor apresentação do último congresso da SBCe?

Bordini: Aula do Prof. Pedro Moreira.

Wilsons: Que palestra você gostaria de dar no congresso da SBCe de 2031?

Bordini: "Celebrando 10 anos sem cefaleia no mundo".

Wilsons: Se fosse ganhar um Prêmio Nobel, gostaria de ganhar por qual descoberta?

Bordini: Descobrir a neurobiologia da sensatez e o manuseio clínico da insensatez.

Wilsons: O Palmeiras cai esse ano de novo?

Bordini: Caraca!

Wilsons: Um grande jogador de futebol que você viu jogar, não precisa ser o melhor.

Bordini: Carlucci lateral esquerdo e Adalberto meia esquerda, ambos do meu Botafogo de Ribeirão.

Wilsons: Um livro que você gostaria de ter escrito e uma música que gostaria de ter composto.

Bordini: Música é fácil, "Pistão de gafieira" de Billy Blanco. Livro, “Teoria ingênua dos conjuntos” e “Os sentidos da paixão”.

Wilsons: Uma lembrança inesquecível da sua infância.

Bordini: Jogar bola na chuva e descalço nos campinhos da periferia.

Wilsons: E uma lembrança inesquecível da Faculdade de Medicina.

Bordini: Numa argüição oral, que sabia constar de 10 perguntas, ao perceber que acertara a maioria, recusei-me a responder uma, o lente insistiu, também teimei e fui embora, ele quis reprovar-me, porém não conseguiu. Obtive uma das duas notas menores que 8, mas mesmo assim passei.

Wilsons: Agora chegou a hora de entregar o ouro, dê de presente para os nossos leitores uma dica, um “pulo do gato em cefaleia”.

Bordini: Medicação na dose preconizada exemplo: topiramato não interromper antes de 100 mg, divalproato antes de 1000 mg, toxina botulínica 155 ou mais mg.

Wilsons: Uma dica de consultório para os que estão começando. Bordini: Quando o paciente entra, olhe fixa e demoradamente para seu rosto. Computador, bem no cantinho da mesa, não entre você e o paciente.

Wilsons: Pensa em aposentar? Se sim, o que vai fazer quando chegar a hora de pendurar as chuteiras?

Bordini: Lecionar teologia.

Wilsons: Defina Edmundo e Emília seus pais (apertei sem abraçar!).

Bordini: Edmundo, surreal perplexo com o mundo que mutuamente não se entenderam, nem ele ao mundo, nem o mundo a ele. Nos amávamos do nosso jeito. Emília é cativante, todos a amam, sou o primogênito e despertei ciúmes nos irmãos. Herdei dela a habilidade de memorizar letras de música, ponto alto de ambos: jamais questionaram minhas decisões.

Wilsons: E vamos para a nossa última pergunta, Carlos por Carlos.

Bordini: Esse é o grande desafio, conhecer a si próprio. Sou um amigo leal.

 




 

xxviBannerhorizSite